terça-feira, 2 de novembro de 2010

ESTILOS DO KARATÊ

– Shotokan – Shoto foi o pseudónimo escolhido por Gichin Funakoshi (1868-1957) para assinar os seus poemas e o termo Shotokan significa “a casa de Shoto”. Neste estilo de karaté, a ênfase é colocada no kata (uma sequência predefinida de exercícios praticados sem parceiro), que usa posições baixas e fortes para garantir uma base sólida para as técnicas elementares. Embora tenha sido Funakoshi o fundador do Shotokan, na realidade foi o seu filho Yoshitaka (Gigo) Funakoshi (1906-1945) que o desenvolveu na forma em que hoje o conhecemos. Rapidamente cresceu em popularidade, suportado e regulado pela Japan Karaté Association (JKA), fundada em 1955, e pela Shotokan Karaté Association (SKA), fundada em 1968. O aparecimento tardio de outros estilos explica, segundo Pascal Le Rest (2000), a predominância do Shotokan na Europa. Historicamente, foi o primeiro estilo de karaté implantado em França nos anos cinquenta, «et pris ses lettres de noblesse» (Le Rest, 2000: 171), com o mestre japonês Kasé no início dos anos sessenta. É considerado como o mais tradicional e fundamentalista dos sistemas japoneses de karaté, e continua a sofrer de um forte conflito interno entre estas duas organizações. Os conflitos passam por vários aspectos, nomeadamente pela interpretação das técnicas, dos katas e dos conceitos básicos inerentes a esta arte.

– Goju-Ryu – significa estilo “duro-suave”. É uma combinação entre as técnicas chinesas suaves e os duros/violentos métodos de treino de Okinawa. Esta “escola” foi fundada por Chogun Miyagi (1888-1953). No kata, o Goju-Ryu enfatiza os movimentos rápidos e lentos, a tensão e o relaxamento, com um profundo controlo da respiração abdominal. Tem como característica os movimentos pequenos e firmes.

– Wado-Ryu – significa “o caminho da harmonia”. Quando Gichin Funakoshi realizava demonstrações, normalmente era acompanhado pelos seus melhores alunos. Hironori Ohtsuka (1892-1982) era um desses alunos, que começou a treinar com Funakoshi em 1926. Ohtsuka, baseado na sua experiência em várias artes marciais, nomeadamente o judo, e com um conhecimento aprofundado da “ciência dos pontos vitais” (atemi-waza), funda, em 1939, este estilo de karaté, que utiliza técnicas livres de tensão (movimentos súbitos). O Wado-Ryu apoia-se fortemente nos exercícios de demonstração desenvolvidos por Ohtsuka. As posições deste estilo são ligeiramente mais altas do que as usadas no Shotokan.

– Shito-Ryu – fundado, em 1939, por Kenwa Mabuni (1889-1952), este estilo combina dois dos principais estilos antigos de Okinawa (Shuri-te e Naha-te). As posições são naturais e nos ataques utilizam-se, normalmente, posições mais altas do que nas defesas. Utilizam-se muito as técnicas de mão aberta. Também é característica complementar deste estilo o estudo e a prática do kobudo (armas tradicionais japonesas). O japonês Yoshinao Nanbu, campeão de França em 1967, foi o principal impulsionador do karaté Shito-Ryu em França nos finais dos anos sessenta. Embora o Shito-Ryu seja popular no Japão, não se expandiu muito além fronteiras. Em França, por exemplo, e no seio da Fédérations Française de Karaté et Disciplines Associées (FFKDA), é considerado como um «parente pobre» (Le Rest, 2000: 171).


A História do Karatê


A origem das Artes Marciais :
Na antiga Índia, por volta de 5.000 anos a.C., surgiu um estilo de luta marcial de nome "Vajramushti", em Sânscrito , tradução significava " punho real", ou " direto". Era uma arte guerreira, desenvolvida na Índia pela elite chamada Dshastra. Por volta de 3.000 a.C., já haviam registros de lutas entre os monjes que através dos movimentos e da disciplina por eles gerada, estabeleciam rituais semelhantes à dança.
No karate , temos como pioneiro e precursor , Ginchin Funakoshi que é respeitado e idealizado pelos karatecas em todo mundo , e cuja história e vida fascina e serve de caminho.
A influência Chinesa :
Na china, também várias lendas contam as origens da arte marcial que veio um dia chamar-se Karatê, abordando seu aspecto guerreiro, filosófico, educacional e medicinal, entre outros.
Uma destas lendas descreve as atividades de um médico chinês de nome HUAN T'O, que criou uma sequência de movimentos semelhantes ao KATA, com o objetivo de aliviar a tensão emocional e fortalecer o corpo.
Outra, traz ao nosso conhecimento, o trabalho do general YUEN FEI que codificou em 12 trabalhos, aquilo que seria inicialmente a seqüência dos movimentos básicos do Karatê, através do livro PATUANCHIN.
Dentre todas a mais popular é aquela que fala sobre o monge indiano BODHI DHARMA, conhecido dos japoneses pelo nome de DARUMA, identificando-o como o instrutor destes exercícios guerreiros na China.
BODHI DHARMA, foi o vigésimo oitavo patriarca zenbudista, instalado no mosteiro SHAO LIN, ou em japonês,SHORINJI, originalmente uma escola de meditação CH-AN ou ZEN que alcançou seu esplendor pelos idos de 532 d.C.
Na época em que os monges cultivavam exclusivamente a meditação, BODHI DHARMA percebia que vários deles não podendo suportar os rigores da disciplina mental, necessária para atingir a iluminação, dormiam durante os períodos de concentração mental. Para sanear este vício DARUMA codificou então um série de exercícios psicofísicos ativos e passivos, praticados na Índia, para servir de complemento ao treinamento ZEN.
Como todas as artes marciais do Oriente, o Karatê reflete o espírito do zen-budismo, procurando, com a educação da vontade e rigoroso treinamento físico, o esclarecimento mental do indivíduo.
Método de luta ofensiva e desarmada, o Karatê (" mãos vazias") utiliza todos os recursos e potencialidades do corpo humano, sobretudo braços e pernas, para o ataque e a defesa. O ataque é feito com a aplicação de golpes quase sempre traumáticos ou mortais. Todavia, os movimentos, chamados katas, são basicamente defensivos, pois o Karatê, em sua essência, é uma arte de defesa pessoal; exige apurada técnica e concentração da mente.
A verdadeira origem do Karatê está envolta em lendas. Acredita-se, porém, que uma luta similar, com movimentos semelhantes às danças rituais, já existia na Índia muitos séculos antes de Cristo e que, mais tarde, foi incorporada à filosofia do zen-budismo. No ano 520 da era cristã, o monge indiano Bodhidharma, fundador da filosofia zen, mudou-se para o mosteiro de Shao-Lin na China, onde seus métodos de educação física e mental tornaram os bonzos -- monges budistas -- famosos pela força de seus punhos. Essa arte propagou-se rapidamente por todo o país.
O Karatê foi introduzido no Japão no início do século XVII. A princípio praticado somente por intelectuais e guerreiros nobres, difundiu-se depois na ilha de Okinawa, na época dominada pelo senhor de Shimazu, que, a fim de evitar possíveis levantes, proibiu a posse e o uso de armas pela população. Para se livrar da opressão, os habitantes da ilha aperfeiçoaram esse método de combate sem armas e chegaram a desenvolver uma técnica mortal, baseada em golpes de mãos e pés.
Em 1913, o Karatê foi oficialmente incorporado à prática da educação física no Japão. O filósofo e desportista Funakoshi Gichin levou essa luta para as universidades japonesas e preparou toda sua atual base filosófica. Como atividade desportiva, difundiu-se então por todo o país e no resto do mundo. Foi introduzido no Brasil, na década de 1940, como parte do jiu-jitsu.
Por se tratar de luta bastante perigosa, nas competições de Karatê o lutador não pode tocar no adversário. O golpe deve ser detido a poucos centímetros do alvo, sob pena de desclassificação do atacante. Desfechado subitamente, o golpe é em geral acompanhado de um grito, o kiai, que ajuda a liberar as energias e a evitar que o lutador disperse sua atenção.